Tenho uma amiga querida. Um “muito querida” que é inversamente proporcional ao nosso convívio. Acho que no último ano encontramos, no máximo, umas duas vezes. A isso se acrescem emails esporádicos e curtos. Ressalvadas poucas exceções de visitas que duraram mais tempo, sempre foi assim. E não nos conhecemos sequer há uma década. Nada pode explicar, pois, como alguém com quem convivi tão pouco tenha importância fundamental em escolhas e entendimentos centrais da minha vida.
Foi ela que me explicou que as dívidas contraídas aos 30 anos, com a balança, com o coração e com a vida, integrariam uma fatura com início de vencimento aos 45. Segundo ela, a minha geração estava se endividando alto, rápido e demais. O risco de amargar antes da hora era significativo, principalmente para as mulheres. Hoje, ainda há uma distância segura dos 40, olho para o lado e já vejo muitas de nós azedando. Amargura e chatice: faturas vencendo antecipadamente, creio eu.
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